DAS GENTES
Quando tudo é novidade, não há como
desviar o deslumbramento, sorver cada instante, carpe diem. Adeus vida de casada, regras, horários, compromissos,
filhos, marido, casa. No auge dos trinta, finalmente sentia a luminosa sensação da felicidade, da liberdade!
Palco das boas rodas, cerveja, fumo, bons papos e música. O ap dois quartos, varanda com vista pro mar... era tudo!
Naquela manhã de sábado, de novo havia acordado com um cara diferente. Não tinha a menor ideia do que ocorrera durante a noite. O rapaz, já levantado, havia feito café, que o cheiro invadia o prédio. Beijou-lhe na testa, bom dia, passando-lhe uma ponta, que recusou. Alto, moreno, mais ou menos a sua idade, tinha um sorriso tímido e olhos tristes. Bom dia, como é o seu nome, a gente transou, usou camisinha, como é o seu nome, como a gente se conheceu?
Lembrava bem da infeliz idéia, no dia anterior, quando após ter tomado ao menos uma dúzia de cervejas, resolvera ir pro uísque. Na primeira dose, foi como se começasse tudo de novo. Misturava-se desejo com lucidez e sobriedade à alegria embalada pelo rock ao vivo do Mad Dogs. O problema é que quando nos acostumamos a tomar cerveja, em freqüentes goles, e migramos pro uísque, a embriaguês é inevitável. Corremos um risco enorme de as coisas não terminarem muito bem.
Bom, parecia não ser o caso. Traços finos, fortes braços e o riso tímido na mais linda boca humana, respondia às perguntas com outras perguntas. Você quer água? Tá legal? Quer um suco?
Puta que pariu! Explodiu: quem porra é você, me fala o cassete do teu nome!
Como um cão que mesmo enxotado insiste em querer bem ao dono, o cara apresentou-se. Nome, sobrenome e certidão de antecedentes, num timbre firme, mas discreto, quase um sussurro. Havia acabado de chegar à cidade, conhecera-a no barzinho, na noite anterior. Tinham amigos em comum.
Depois do sexo, compartilharam o restante daquela ensolarada e cristalina manhã como crianças saboreando guloseimas. Pela veneziana do ap, subia uma tênue nuvem de fumaça desenhando animais, plantas, anjos e demônios, formas sobrenaturais.
(...)
Palco das boas rodas, cerveja, fumo, bons papos e música. O ap dois quartos, varanda com vista pro mar... era tudo!
Naquela manhã de sábado, de novo havia acordado com um cara diferente. Não tinha a menor ideia do que ocorrera durante a noite. O rapaz, já levantado, havia feito café, que o cheiro invadia o prédio. Beijou-lhe na testa, bom dia, passando-lhe uma ponta, que recusou. Alto, moreno, mais ou menos a sua idade, tinha um sorriso tímido e olhos tristes. Bom dia, como é o seu nome, a gente transou, usou camisinha, como é o seu nome, como a gente se conheceu?
Lembrava bem da infeliz idéia, no dia anterior, quando após ter tomado ao menos uma dúzia de cervejas, resolvera ir pro uísque. Na primeira dose, foi como se começasse tudo de novo. Misturava-se desejo com lucidez e sobriedade à alegria embalada pelo rock ao vivo do Mad Dogs. O problema é que quando nos acostumamos a tomar cerveja, em freqüentes goles, e migramos pro uísque, a embriaguês é inevitável. Corremos um risco enorme de as coisas não terminarem muito bem.
Bom, parecia não ser o caso. Traços finos, fortes braços e o riso tímido na mais linda boca humana, respondia às perguntas com outras perguntas. Você quer água? Tá legal? Quer um suco?
Puta que pariu! Explodiu: quem porra é você, me fala o cassete do teu nome!
Como um cão que mesmo enxotado insiste em querer bem ao dono, o cara apresentou-se. Nome, sobrenome e certidão de antecedentes, num timbre firme, mas discreto, quase um sussurro. Havia acabado de chegar à cidade, conhecera-a no barzinho, na noite anterior. Tinham amigos em comum.
Depois do sexo, compartilharam o restante daquela ensolarada e cristalina manhã como crianças saboreando guloseimas. Pela veneziana do ap, subia uma tênue nuvem de fumaça desenhando animais, plantas, anjos e demônios, formas sobrenaturais.
(...)
Edilson Paulo de Souza Furquia
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