sexta-feira, 24 de junho de 2011

A CASA DA ÁRVORE

Naquela noite, na casa da árvore, com seu para-peito em ipê bem acabado, nenhum de nós sabia ao certo a quantidade de vinho que havíamos bebido.
Agora que dormiam, aos roncos, os donos da casa, passamos a fumar – eu e seus dois filhos, um rapaz de mais ou menos minha idade e sua bela irmã, mais nova.
E mais vinho e fumo e vinho... Em meio à fumaça desanhavam-se estranhas formas, às vezes monstros, ao fundo Santana: “Samba Pa Ti”. Conversávamos, olhávamo-nos. Como é linda! Manga Rosa, peitos formosos! Ah, essa minha timidez!
Blá, blá, blá... Falávamos de música, literatura, cinema e até sobre educação – como eu, ela também professora, doutora em física. Quando olhei, seu irmão havia baixado-lhe as calças. Huum... Sem acreditar, esfregando os olhos, voltei-me pro quarto, os velhos, ao lado zzzz... De novo olhei pra varanda, agora seu irmão também nu, agarrava-a por trás, ela debruçada sobre o para-peito.
Ao fundo, Santana: “Samba Pa Ti”...
Com os olhos esbugalhados, como se fossem saltar das têmporas, numa expressão de terror, gritava: "_estou errada, estou errada! sei que estou errada!". Seu irmão, agarrando-a pelas ancas e pelos cabelos, tentava tampar-lhe a boca, enquanto entrava ainda com mais força.
No quarto ao lado, os velhos zzzz...

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