sexta-feira, 24 de junho de 2011

A ESPERANÇA NUNCA MORRE

No outro dia, a esperança à porta parecia algum sinal dos últimos acontecimentos. Muito provavelmente havia sido a cadela da casa. Pensativo, seu dono não conseguia compreender direito, mas era inevitável a imagem metafórica. Tal qual aquele pequenino ser verde, também sua alma, ali inerte na soleira, parecia haver morrido. No mínimo, se distanciado um bocado.
De repente, como num sonho, começa a enxergar. Inicialmente, a partir dos tímidos movimentos das pernas. Depois, se erguendo. Agora, como se suas asas já pendessem para o alto. A esperança de novo viva!
Equilibrando-se junto à grade do portão com seus brilhantes olhinhos voltados para ele, começa a falar-lhe: "Por isso morri, não foi a sua cadela Salomé. De fato, não suportei mais a caretice do mundo". Esfrega os olhos, procurando entender se era um sonho ou se havia mesmo perdido de vez a razão, se aproxima do bichinho. "Não sei porque você se espanta, sei que já vivenciou experiências semelhantes".
Voltou a lembrar do dia anterior e tentou agarrar a esperança. Rápida, ela pulou para a parte alta do portão. Agora, olhava-o de cima para baixo.
Corre até a escada, resolve se afastar. Sua mulher, despertando, já na cozinha, "João, você pode deixar o lixo lá fora"?

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